domingo, 23 de setembro de 2012

Remédios do Amor


   Ela estava quase morrendo de tanto remédio que colocava pra dentro de si. Estava prestes a se matar em uma banheira. E não havia ninguém em casa. Sim, ela poderia morrer a qualquer momento. - Nunca foi tão perversa, mas estava começando a ser. O sol se põe e ela estava ao lado do armário esperando que todo o reflexo da luz saísse da parede. Quando tudo saiu, levantou-se do chão e foi passando tontamente até o banheiro. Segurava nas paredes para não cair.
   Precisava dele mais uma vez, mas ele não estava ali. Pra que? Ele não precisava dela mesmo. Ela que era uma boba de se achar que um dia ia tê-lo. Talvez até uns dias atrás. Mas estava disposta a tomar uma decisão pra mudar sua vida. Ou acabar com ela.
   - Queria te roubar, assim como você me roubou. - Ela sussurrava a si mesma tentando tomar coragem para olhar seu rosto marcado e sujo no espelho do banheiro.
   Ela lembrou dos momento que ele a desprezou. Ela fez de tudo para que ele se apaixonasse, mas não deu certo. Agora estava diante de duas pessoas e não sabia qual piorava mais a sua situação. 
   Olhou para si mesma, não era ela! Não podia ser! - Ela ouviu portas se fechando, paredes caindo, sons amentando o volume, horas passando depressa e... Ele chegou. Ela se revirou para trás e desceu as escadas depressa. Ele não acreditava no que via: Não foi por ela que ele se apaixonou um dia! Já nem a reconhecera mais, era uma estranha. Tentou explicar a ele o que estava acontecendo, mas ele passou invisível ao seu lado como todos os anos. 
   - Eu precisava ouvir tua voz de novo. - Ela sabia que ele não a escutava - Por que não me da atenção?
   - Você não é a mesma. - Ele parou para ouvi-la
   - E nem você. - Disse diante de colocar mais remédios na boca.
   - Você é louca.
   E naquela noite ela poderia ter morrido se não fosse a sua força de pegar suas coisas e ir embora dali para procurar uma nova chance de ser feliz. Também, depois de tanto ingerir remédios do amor, teria que fazer um efeito na sua cabeça.

Autora: Katlyn Neris

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