O vento estava contra mim, fazendo meus cabelos bagunçarem no meu rosto. Eu tinha que fazer alguma coisa, mas o quê? Meu primeiro estado foi de choque, não sabia o que fazer. Depois, automaticamente, eu corri. Corri atrás do garoto maluco o mais rápido que podia. Os pássaros estavam tão barulhentos que estava me dando dor de cabeça. O outro problema é que o garoto corria demais. Só gostaria de saber a idade real, pois não era normal ele correr daquele jeito.
- Moço! Por favor pare! - Do que ia adiantar eu falar isso? Sim, eu era um tonta mesmo.
Já não sabia mais onde eu estava. Era uma rua esquisita, não muito longe da minha casa, mas que eu nunca havia passado ou visto. O medo estava tomando conta do meu corpo todo e eu estava me tremendo. O homem estava no final da rua escura. - Sim, já estava escuro o suficiente para as luzes da cidade estarem ligadas - Meu pés não conseguiam sair do lugar.
- O que você quer garota? - Ele falava com uma voz grossa.
- Você sabe o que eu quero. Eu quero que você deixe os pássaros livres. Eles moram na árvore da minha casa.
Ele ficou parado por um tempo e os pássaros já não faziam o mesmo barulho de antes, eles estavam quietos. Fechei os olhos e senti meu coração acelerar rapidamente. As lágrimas desciam vagarosamente como uma pessoa que estava sendo torturada para não chorar. Eu precisava me livrar daquele local, mas não conseguia. Alguém já passou por isso? Não por está nessa situação com um homem psicopata, mas na situação de querer sair e não poder fujir? Melhor eu explicar direito.
Um tempo atrás, pelo resto de lembranças, eu tive um amor que me atacou nos meus momentos de fraqueza. Eu estava triste por meu cachorrinho de estimação ter morrido e de repente um maravilhoso garoto chega e - finge - se preocupar comigo. O problema é que parece que as pessoas sabem o quanto eu amo garotos que se importam. "Eu senti sua falta esses dias" "Mas não levantou nem o bumbum da cadeira pra me procurar" - Ri junto com ele - "Meu pai foi internado, não deu muito tempo pra te procurar" "Sentiu minha por que então?" "Lembrei daquele dia que a gente estava na fazenda nos nossos avós. E escrevemos na árvores as nossas iniciais. Você que me acolheu quando meus pais brigaram" "Eu sempre ajudo aos meus amigos" "Só que eu não queria ser apenas o seu amigo" - E a partir dai tudo foi motivos de risos, até 16 de março, quando o "amor acabou". Amor acaba? Eu não sabia disso até me provarem.
Eu lembrei desse dia também por causa do pai dele que ficou louco depois de tantas brigas com a mulher. Acho que a mãe dele nunca mais dormiu bem, sentindo-se culpada por aquilo. Não é atoa que o garoto teve que morar com os avós, se mudando para longe do meu caminho. Bom, mas isso não vem ao assunto. Eu estava se dando, talvez, com um psicopata para salvar passarinhos que nem meus eram. Foi quando as luzes se acenderam perto de mim e soltei um grande grito, sendo surpreendida pelo homem que tampou a minha boca. Quando abri os olhos para tentar me soltar, vi aquele rosto. Que rosto era aquele? - Ele retirou a máscara que sempre esteve. Nunca vi mais assustador. Sim, eu estava na pior situação que podia estar.
Autora: Katlyn Neris
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